21/10/2015

Diario de katie

Rio de Janeiro, 14 de novembro de 2014
Diário,
Hoje faz um mês que meu Haylan foi arrancado de mim.
Eu não sei como estou lhe escrevendo isso, foi recomendação médica, psiquiátrica, depois de ter ficado por 15 dias trancada no quarto dele, levaram uma mulher lá que disse que é normal sentir saudades, mas que meu filho não iria gostar de me ver assim, lembro de ter-lhe gritado umas ofensas, derrubaram a porta, me amarram e ela injetou algo em mim. Depois conversamos, ela sugeriu escrever um diário, cartas, livros para expressar a dor da tragédia que me ocorreu. Comecei hoje, não sei se ficara bom ,se aliviara, mas eu tento. Bem naquele dia 14 de outubro, Noah tinha bebido demais, me ligou diversas vezes pedindo que saíssemos do sitio da família dele, que seu pai já tinha morrido mesmo e que não deveríamos ficar aqui, aleguei que não tínhamos para onde ir que Haylan tinha direito tanto quanto ele no sitio, ele gritou que não era filho dele e eu disse que se ele não acreditasse que viesse ver com seus olhos o menino cuspido ele.
E ele veio do jeito que estava bêbado, dirigindo seu carro, todo cheio de razão, a mil por hora, xingando-me mentalmente.
Haylan estava no jardim, brincando com Toddy eu olhava-o da varanda sorrindo do seu jeito juvenil, meu pequeno homem 13 anos, eu imaginava suas namoradinhas em breve me chamando de tia. Ouvi ao longe um barulho de motor, não deu para correr, gritei da varanda, mas Haylan distraidamente corria e não viu quando Noah entrou em disparada com sua Hillux, atropelando-o. 
Meu filho meu mundo foi arremessado metros a frente, corri para ele, abracei seu corpinho frágil, 
ele olhou-me uma ultima vez, sorrindo para mim, cuspiu entre sangue um ultimo eu te amo mamãe. 
E morreu em meus braços, entre soluções desesperados eu vi o meu amado tirar meu mundo de mim. 
O pai, o incrédulo, o ausente, tirou de mim a vida que havia dado. Noah olhava a cena inerte no volante, vi ao longe ligar para alguém, tempos depois chegou a policia, os bombeiros, vizinhos e Lígia que abraçou Noah e foi levando-o para longe de mim, a cunhada que antes trocava confidencias comigo, estava advogando em defesa do assassino do meu filho.
Alguém me segurava não sei quem, eu só queria estar com Haylan, eu só via as negativas dos bombeiros, eu só senti uma ardência, eu só vi escuridão.
No dia seguinte acordei com Toddy pulando na cama, corri ao ultimo quarto do corredor, abri a porta e não o vi, desci chamando-o, tinha que ser um pesadelo, gritei no quintal, e Jurema apareceu, olhar sofrido, cabeça baixa, veio abraçar-me, afastei e ela falou que ele estava sendo velado na capela.
Quando cheguei e vi os parentes ausentes, o choro de Noah e meu filho ali, inerte naquele caixão eu desabei em choro, abraçada a ele, olhava seu rosto angelical e não acreditava, não meu filho não, meu tudo.
Noah veio falar, gritei tudo que estava preso em mim por 14 anos, desde o momento em que ele partiu.
Alguém tentou me tirar dali, mandei todos saírem, afinal nunca nos procuraram não tinham direito de estar conosco nesse momento.
A sós jurei a Haylan que nunca iria deixar-lo morrer em mim, jurei cuidar de tudo que ele amava.

E no dia seguinte ele foi enterrado, no cemitério da cidadezinha.